quinta-feira, 9 de setembro de 2010

A FUNDAÇÃO DO CLUBE DESPORTIVO DE PAÇOS DE BRANDÃO: 10 MAIO 1960

Mas vamos ao início. Com o cessar das colectividades desportivas e porque ambos campos desportivos eram alugados, rapidamente foram utilizados de forma diferente, gorando-se de vez as ilusões da maioria dos atletas e outros candidatos, que pretendessem começar ou praticar futebol no clube da sua terra. Entretanto, a juventude local ávida de desporto começou a estrebuchar, exigindo da edilidade local dum campo que fosse pertença dum clube que seria único e representativo da localidade. Estava aberto o caminho para a formação duma única COLECTIVIDADE e não cruzou os braços até à sua concretização.
Entretanto, devido à inexistência dum recinto desportivo, os jovens treinavam no antigo Arraial ou Feira dos 7, organizando equipas para participação em torneios de futebol a nível de freguesias organizados pelos grupos da região: Lamas, Feirense, Espinho, onde eram evidentes as multidões que acompanhavam as nossas hostes. Esta acção da juventude não passou despercebida às chamadas forças vivas, pois nelas também faziam na vertente desportiva alguns dos membros da Junta. Por isso, ajudou pelo menos a não deixar cair a ideia da construção dum recinto desportivo.
Depois de varias tentativas falhadas, sempre apareceu alguém que tornou possível a concretização de tal objectivo e de certa forma eivou a criação do actual clube. Essa foi com a chegada do Padre José Rocha em 1957, cujo panorama iria mudar. Este era um adepto do futebol, era um bairrista empreendedor das coisas associativas, conseguiu unir as forças vivas da terra ansiosas pelo aparecimento do futebol, deitou mãos à obra e em dois anos foi a força aglutinadora da fundação do CDPB.
A ideia inicial foi sempre a da construção dum recinto desportivo que nunca deixasse de o ser e não a de fundar um clube, mas com a concretização do primeiro objectivo, o clube nasceu espontaneamente. Mas o caminho não foi tão pacifico como parece. Fizeram-se várias tentativas que iam falhando desconsoladamente, por vários motivos, uns por não concordarem com certos nomes na lista e outras por evidente protagonismo de certas pessoas, quase que fizeram morrer à nascença o desiderato sonho. Tais tentativas levaram a que várias Comissões se desinteressassem e muita confusão nasceu daí. Como tudo na vida, os entusiastas foram muitos. Mas em 1960, com o padre Rocha à cabeça, promoveu-se no velho Cinema várias reuniões e duma delas com o presidente da Junta, chegou-se finalmente ao consenso. Em ambiente de entusiasmo foi elaborada uma Comissão, assim constituída: Padre José Gomes da Rocha, Diamantino Sousa, Manuel Ferreira, Joaquim Marques Pinto, Fernando Sousa, Mário Coelho, Anésio Sousa, Fernando Gomes, Ramiro Rocha, entre outros, a que não tive a sua confirmação.
Com o passar do tempo o entusiasmo foi esfriando devido aos contrários pontos de vista entre elementos, levando à desistência de alguns, cujas feridas passados 50 anos ainda são visíveis, chegando ao ponto de alguns terem virado as costas ao clube local e outros continuam a não falarem entre si. Foram estes sentimentos bairristas, muitas destas coisas incompreendidas, que possibilitaram o nascimento deste clube que fará este ano (2010) 50 anos de vida, mas que já praticava futebol desde os anos 10 do século passado, por isso quase centenário se fosse respeitado o aparecimento do primeiro clube, União Desportiva Brandoense em 1917.
Mas a vontade das pessoas inclinou-se para a fundação dum novo clube, o que se apraz aplaudir. Este é o que ficou - CDPB e há que respeitar o verdadeiro, o nosso clube, a Briosa Verde e Branca, desta terra secular de nome "Paços de Brandão ."

Fig: fotos da comissão e direcção da fundação do CDPB

A dita Comissão reduzida a 6 elementos, os que na realidade fundaram este clube: Norberto Sousa, Fernando Sousa, (Joaquim Carvalho Jr) Joaquim Dias Carvalho, Diamantino Sousa, Anésio Sousa e Joaquim Pinto. Os fundadores do clube, que eram simultaneamente comissão de obras, dedicaram-se de corpo e coração à obra que se propuseram realizar. Entre este grupo há que lembrar duas pessoas que também fizeram parte desta plêiade, mas que por motivos a eles dizentes, foram esquecidos mas importantes: Manuel Chapa (que se afastou e nunca foi director ou sócio) e o Padre Rocha (que sairia da localidade em 1961 e nunca mais foi lembrado). Assim, construíram o campo, criaram a sede com sala de café, escolheram as cores do clube (verde e branco como os antigos) e o emblema obra do artista amador Dr. Ramiro Relvas.
Entretanto, também criados os Estatutos do Clube, embora poucos em prática, não estavam aprovados oficialmente. Só muitos anos depois, em 1969, os novos e actuais estatutos foram oficializados. Mas seria deselegante da minha parte não lembrar duas pessoas que foram essenciais nisto tudo: refiro-me a Joaquim Narciso e á sua esposa, que daria o nome ao estádio: Dona Zulmira de Sá e Silva. Estes desconhecidos da maioria dos simpatizantes e praticantes jovens, foram os que possibilitaram o estado das coisas acontecerem.

FIG: Dona Zulmira de Sá e Silva (nome do estádio) e Joaquim Narciso (beneméritos).

Depois de o sonho ter finalmente acontecido, começaram a aparecer praticantes e a formação de equipas; novos e velhos jogadores realizaram a prática do futebol e o CDPB uma REALIDADE.
O desejo dos brandoenses em 1960 foi entrar a competir mas devido ao facto de não ter ainda infra-estruturas (balneários, vedação, etc.), ficou decidido que o clube iria competir na época 1961–1962, no campeonato da Promoção. Enquanto não competiam oficialmente, os jovens jogaram contra as outras da região e duma dessas partidas constatou-se que já haviam atletas para competir e dentro desses haviam elementos com valor que, apesar de convidados a jogar oficialmente, recusaram esses convites, alegando que só jogariam pelo clube local. Era simplesmente um inusitado amor à camisola pouco visto nos tempos que correm.
Esta foto seria na verdade a primeira equipa de Paços de Brandão que seria a causadora da fundação do nosso grandioso clube: Clube Desportivo de Paços de Brandão: 1960, no Estádio Dona Zulmira, a primeira equipa do CDPB:




DE PÉ: Sr. Ribeiro, Guerra, Ângelo, Lopes, Rios, Sá Reis, Aires, Mário Belinha e Carlos Honório. AGACHADOS: Preguiça, Aurélio, Barroca, Rodrigues e Rodrigo.

os anos do SUD

Sociedade União Desportiva (SUD)

S.U.D (1931–1942) - Durante 5 anos entre 1938 e 1942 uma das melhores equipas da Aveiro



Das cinzas da União Brandoense nasceu a Sociedade União Desportiva Brandoense, que rivalizou durante quase 8 anos com a outra equipa local, entre 1931 a 1938, entre campeonatos da promoção e das primeiras com partidas renhidas e com muitas peripécias.
Pelas fileiras desta equipa passaram alguns dos melhores jogadores da terra, disputando por 2 épocas 2ª liga nacional da zona Douro Litoral, mas infelizmente terminaria no seu auge em 1942 quando era a melhor equipa do concelho, rivalizando com o Espinho, Feirense e a Ovarense os títulos da primeira divisão.
Parte dos jogadores da época 32–33 vinham do PBFC que disputara antes a promoção de 1931-32, mas com a zanga entre directores rumaram à SUD e começaram o dito campeonato da promoção em 1932. O primeiro jogo oficial entre ambas equipas realizou-se no dia 18 de Junho de 1932 no campo das Ameixoeiras; terminou com o resultado de 3-0 a favor da SUD e começou então um ror de polémicas, com a rivalidade chegar diversas vezes a extremos e com vantagem para a equipa da Estação.
Da fundação em 1932 não podem ser esquecidos os nomes de: Dias da Póvoa, Joaquim Oliveira (Estronca), cujo Café Carioca serviu de sede deste clube, Jorge Pinto de Sá e António do Chico, entre outros, que foram ferrenhos defensores desta agremiação, digladiando com os rivais das Ameixoeiras acesas discussões. Não foi fácil a fundação deste clube porque a época era de crise severa; não havia muitos apoios financeiros para a construção doutro campo de futebol, mas a enorme rivalidade entre as duas partes da freguesia fez com que fosse possível tal desiderato. A escolha do terreno recaiu num terreno do Sr. Brandão da Estação, “sendo vendido a uma comissão com pessoas de confiança e de palavra, cuja a honra era mais válida do que assinaturas“, começando a construção do campo em 1932, ficando a baliza norte virada para a Fabrica do “Mata e Rouba” e a parte do sul para os terrenos regadios do actual bairro Vieira Pinto.
A primeira equipa era rudimentar e sem expressão, constituída por meros amadores, mas com a entrada no campeonato de promoção na época 1932–33 e sobretudo com as vitórias sobre o PBFC, tornaram-se relevantes cimentando uma supremacia na região feirense. Apesar disso, somente na época 34-35 subiriam à primeira divisão; disputariam na época 1935-36 a 2ª divisão por questões financeiras, subindo na época 36–37 e até acabar em 1942, quando desceu à Promoção.
A mais valia desta equipa ficaria reforçada com a chegada de Zé Tarene em 1932 vindo do Estrelas de Ovar, constituindo como o maior goleador e extremo esquerdo existente nesta terra. Mas não podem serem esquecidos outros valores, onde se revogam nomes como: Alberto Oliveira, Lino Relvas, Pereira, Titi, Lino Carvalho; parte destes chegariam a ingressar no FCPORTO, ESTORIL e noutras equipas da região.
Na época 1932 ano da sua entrada no campeonato de promoção obteve duas vitórias sobre o PBFC: 3-0 e 4-2, ficando em 5º lugar.
Na época 1933, a SUD alcançaria o 4º lugar, disputaria a subida mas perdeu a final com o Estrelas de Ovar.
Na época 1934, a SUD subiria de divisão , disputando com a outra equipa local o campeonato.
Na época 1935 disputou a 2ª divisão, vencendo a sua poule, com o Feirense, U. Lamas, Estrelas de Ovar, Beira Mar, Império de Anta, Cesarense, sagrando-se campeão de Aveiro.
Nas épocas de 1936 e 1937 disputaria a 1ª divisão ficando em 3º lugar, falhando por pouco a subida à 2ª divisão nacional.
Na época 1938–39, a SUD disputaria a 2ª divisão nacional série Douro Litoral, depois de ter vencido o seu grupo A de Aveiro da 1ª divisão e vencendo o Beira Mar na final dos 2ºs classificados por 3-1, em que o SP. Espinho se sagraria campeão de Aveiro.
Na época 1939-1940, a SUD disputaria de novo a 2ª divisão série Douro Litoral, tendo por isso vencido o grupo A, após renhida luta com o União de Lamas.
Na época 1940–1941 falharia por pouco a subida à 2ª divisão Nacional, após derrota com a Ovarense em 3 jogos com 2 empates e a finalíssima derrotados por um penalty, em jogos polémicos que conduziria ao seu desaparecimento, tal facto que aconteceria na época 1941–42, com a desistência desta equipa no final do jogo com a Ovarense em que haveria sérios desacatos entre atletas e a equipa da arbitragem, levando ao abandono da equipa do campo .


Os anos de ouro da SUD de 1938 a 1940

A época de 1938–39 foi bastante benéfica para a SUD, onde terminou a 1ª fase em 2º lugar atrás do Espinho. A primeira divisão de honra era composta pela: Ovarense, Espinho, Oliveirense, Beira Mar, Sanjoanense e SUD; no fim da primeira volta a classificação era a seguinte:
1º- SUD, 4V, 1E e 1 D, 15 Pontos,
2º- Espinho e Ovarense, 3V, 1E e 1D, 13 pontos,
3º- Oliveirense, 3V e 3 D, 13 Pontos,
4º- Beira-mar, 2 V e 4D, 10 Pontos e
5º- e em último, Sanjoanense, 1V, 1E e 4D, 9 Pontos.
A SUD era líder incontestável ao fim da 1ª volta, com uma linha avançada muito forte, que apesar de ter uma linha defensiva inconstante, possuía uma linha média e avançada temíveis, onde possuía extremos muito rápidos (Tarene e Arlindo) e um avançado muito concretizador (Pereira). A primeira volta foi muito boa para o SUD, mas claudicou na 2ª volta terminando empatada com o Espinho, ficando em segundo por melhor goal-score da equipe dos Tigres e por conseguinte apurou-se pela primeira vez para a poule da 2ª divisão. Os resultados da SUD foram os seguintes: Espinho (1-1, 1-1), Ovarense (3-1, 3-3), Oliveirense (3-1, 3-0), Sanjoanense (2-1 , 3-2) e Beira-mar (1-3 e 1-1), com a classificação: 5V, 4E e 1D, 24 Pontos.
A SUD ficou incluída na II Divisão – Série Douro Litoral, onde estavam equipas da região do Porto e por conseguinte muito fortes ficando, desde logo, muito condicionada a possibilidade da nossa equipa subir de divisão; mas mesmo assim, apesar do último lugar, a equipa brandoense conseguiu 2 vitórias, 5-3 ao Leça, 2-1 ao Espinho e 1 empate 1-1 com o Espinho, sofrendo 7 derrotas: 5-3 e 5-1 com o Boavista, Salgueiros 7-1 e 5-0, Leixões, 4-0 e 5-0 e Leça 3-1. Apesar de alguns resultados desnivelados, a equipa brandoense realizou um campeonato interessante, pois esta era muito amadora. Os jogadores jogavam por amor à camisola e contra a força não havia resistência; a equipa tipo dessa altura era: Lino Carvalho, Veluda, António Malícia, Lino Relvas, Nelinho Malícia, Valada, António Oliveira, António da Fabiana, Pereira, Loureiro, Arlindo, Tarene, Rebola, Pais, Guedes.
Os jogos disputados no campo da Estação entre o Boavista, Leixões e Salgueiros, arrastaram multidões a visionar os jogos, onde o transporte do caminho de ferro não está alheio, pois era fácil vir do Porto via Espinho. O jogo disputado entre o SUD e o Boavista foi o melhor de sempre realizado na localidade, que nem mesmo o desfecho de 3-5 a favor da equipa nortenha, esmoreceu as gentes locais, pois o resultado só aconteceu devido à lesão do valoroso Lino Carvalho, quando o resultado era de 3-1 a favor dos locais.
A época de 1939–40, foi a mais brilhante do clube brandoense, tendo terminado o campeonato de honra de novo em 2º lugar atrás do Espinho, só não foi campeão porque foi espoliado pelas arbitragens, especialmente no jogo disputado em Espinho, onde foi inventado um penalty e expulsos 3 jogadores locais. O Campeonato de honra teve como equipas participantes: União de Lamas, Lourosa, Beira Mar, Sanjoanense, Ovarense, Espinho, Estrelas de Ovar e a SUD. Nesta época, foi o começo de jogos entre Paços e Lamas, começando desde então uma rivalidade entre as freguesias vizinhas, arrastando multidões e jogos intensos. Para melhor compreender o que digo, o clube local não ficou em 1º porque perdeu o jogo do titulo com Lamas na Estação, permitindo ao Espinho ser Campeão.
O Campeonato foi muito renhido, chegando a estarem 3 equipas empatadas a 3 jornadas do fim sendo, por isso, polémicas as mesmas, com arbitragens caseiras, roubos de igreja e muita confusão, envolvendo: SUD, Ovarense e Lourosa, obrigando inclusive a um terceiro jogo entre a SUD e a Ovarense, com a vitória a sorrir aos locais por 4-1. Não possuo a totalidade dos resultados, mas entre os que conheço: Lamas e o SUD 1-4, 3-1, SUD - Lourosa 4-3, 4-4, SUD – Espinho 1-2, 2-1, SUD – Beira-Mar 1-3, 2-1, SUD – Estrelas 6-3, 1-1, SUD – Ovarense 4-3, 1-4. Foi necessário um playoff entre SUD – Ovarense, sorrindo a vitória aos locais por 4-1, com 3 golos de Tarene. Durante o jogo entre o Ovarense e o SUD deu-se um caso que marcou este clube, pois conduziu ao abandono da prática do futebol do central Joaquim Loureiro que, segundo as suas palavras, “terminei para o futebol na ida a Ovar onde a escandalosa arbitragem dum tal Hilário que nos prejudicou em favor do Espinho, que disputava connosco o primeiro lugar, marcando um penalty inexistente, perdi a cabeça agredindo-o, abandonei o campo e o futebol para sempre. Soube que a baliza foi ocupada pelo Alfredo do Lino, que seria anos depois defesa do F. C. Porto, mas tinha jeito para qualquer posição. Pensei ser irradiado mas só levei dois anos mas o futebol acabara para mim. Nessa mesma época o grande Lino Carvalho acabou para o futebol. “
Por isso, de novo a SUD ficou apurada para a II Divisão – série Douro Litoral 1939–1940, competindo de novo com as equipas do Porto, onde se encontravam: Boavista, Leça e Salgueiros, e o campeão de Aveiro, Espinho. Ficou de novo evidente a fragilidade da nossa equipa em compita com as fortes equipas da série, mas conseguiu um resultado surpreendente quando venceu e Leça por 5-3, retirando a este último a possibilidade de subida; a equipa da SUD terminou em último lugar com apenas 2 pontos, com 1V, OE e 7 D, e o score de 13-35 golos: Boavista 2-6, 3 -5, Espinho 0-3, 2-3 , Leça 5-3, 0-3 e Salgueiros 1-6, 2-4 .
Pegando num artigo do grande Tarene, o mesmo recalcava: “bom, as nossas tácticas de jogo eram diferentes das de hoje. Eram tácticas para fazerem golos. O sistema de marcação era outro: guarda redes, 3 defesas, 2 médios e 5 avançados. Ora havia 5 avançados contra 3 defesas, o que facilitava a penetração. Mas tinha que ser um jogo cruzado e largo para que os avançados pudessem marcar. Hoje as tácticas são mais defensivas, por isso os avançados dão menos nas vistas. No meu tempo eram jogos de contra ataque, jogo ao primeiro toque, corrido, sem mastigar. Por outro lado, éramos todos valentes, bastando recordar os seus nomes: Alfredo Lino, Lino Relvas, Preguiça, António da Fabiana, Lino Carvalho, Alberto Oliveira, Arlindo, Avelino Sapateiro, Veluda, António da Laura, Zé Cocas, Ângelo da Guedes, Titi, Zeca da Elvira, Toneca das Fogaças, Jorge das Mobílias, Joaquim Loureiro e Américo, António e o Nelinho Malícia, Rei do Café Vouga, Olímpio, Zeca Ferreira, Rogério, Torto, entre outros, foram indivíduos fortes, possantes. Tínhamos uma defesa onde não passava ninguém e uns avançados de meter medo a qualquer defesa. As pessoas admiravam-se de eu ser tão pequeno e ter tanta força… O Jorge das Mobílias chegou a treinar para guarda redes, mas quando lhe aparecia pela frente fugia. Os jornais da altura teciam muitos elogios ao extremo esquerdo, afirmando que parecia impossível como arrancava com a bola para fazer golo, sem dar tempo de o adversário se aproximar.“

A melhor equipa de sempre da SUD em 1939 - DE PÉ: Arlindo, Zé Cocas, Loureiro, Alfredo Guedes, Avelino Ribeiro e Lino Carvalho. AGACHADOS: Rui Técnico, Ângelo Guedes, Lino Relvas, Tarene e TITI. Desta equipa fazia parte também: Alberto Oliveira e Pereira.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

A Epoca 1934 - 1935 A Epoca de ouro do PBFC

pbfc em 1935

esq. para a direita : Esteirete , Americo , Hernani , Torto , Guedes , Avelino , Zé Carvalho , Acacio , Artur , Zé Cocas e Miguel.


Na epoca 1934 - 1935 o PBFC terminou em 4º- lugar entre 10 equipas , mantendo-se na 1º- divisão de Aveiro , ficando a saber que o grupo rival da Estação subiu de divisão e a epoca seguinte redimiria forças com esta equipa. A classificação foi a seguinte : 1º- Espinho , Ovarense , Sanjoanense , PBFC , Estrelas de Ovar , Bustelo , Oliveirense , Cortegaça , Lourosa e Valecambrense. O campeonato estava dividida por 2 séries e o campeao foi o Espinho que venceu o Beira Mar.

fotos antigas das equipas


Paços de Brandão 1934 :
de pé : Chico da Marinheira , Antonio Sá , Angelo Guedes , Pedro Monteiro , Manuel Ferreira , Americo Ribeiro e Brandão.
sentados : Neca Brás , Chico Pica , Zé Figueiredo e Quim Diogo.

Clube fundado em 1922 , foi um dos 12 fundadores da A.F.Aveiro.
Disputou o 1º- campeonato de futebol em 1924 - 1925 , ficando em 2º- lugar .
Por razões politicas e do facto do seu recinto de jogos não possuir as dimensões legais , o clube suspendeu a actividade até 1930. Nesse mesmo ano começou a construção do seu campo de jogos no lugar da Aldeia , nas Ameixoeiras . Em 1931 disputou o campeonato de promoção com o seu campo em construção. Em 1932 aparece o outro clube na localidade : a S.U.D. , que começou a disputar também a Promoção. Começou então duelos entre os dois clubes , rivais e entusiastas até 1938. Na epoca 1932 - 1933 não subiu á 1ª- divisão por 2 pontos do Estrelas de Ovar . Na epoca seguinte 1933 - 1934 a equipa do PBFC subiu de divisão com o Cortegaça , embora perdendo os dois jogos com o clube local , a equipa da Aldeia subiu. A equipa acima exibida faz parte dessa epoca onde pontificava valorosos atletas , e sem duvida uma das melhores formações deste clube só suplantada pela equipa de 1934 - 1935 que por pouco não foi campeã de aveiro. A classificação foi a seguinte :
1º- PBFC , 2º- Cortegaça , 3º- Lamas .4º- SUD , 5º- Lourosa , 6º- Silvalde , 7º- Esmoriz e 8º- Guetim.
Para atribuição do titulo o PBFC disputou 2 jogos com o Valecambrense vencendo ambos jogos : 5-3 e 4-2 .

sexta-feira, 8 de maio de 2009

PBFC ( 1931 - 1938 )

PAÇOS DE BRANDÃO F.C. ( 1930 – 1938 )
1º- Depois de cerca de 5 anos sem clubes a praticar futebol no campeonato de Aveiro , apesar da existência de vários grupos de cariz popular , um punhado de brandoenses recuperaram o clube formado em 1922 ,o Paços . Brandão . Futebol . Clube , começando por construir um campo próprio para a pratica deste desporto . Esta escolha recairia no lugar da Aldeia , ( mais propriamente nas Ameixoeiras ), com a cedência de terrenos da pertença de Ferreira Alves e Augusto Jerónimos, tendo á cabeça antigos praticantes e fundadores de 1922 , que entretanto deixaram a pratica do futebol e se tornaram directores . Após a inauguração do Campo de Jogos e da constituição duma direcção , os jogadores da localidade que , entretanto estavam arredados da competição , não regatearam em esforços e formaram uma equipa no ano de 1931 , com o intuito de competir no campeonato regional ; a equipa da altura era composta por jogadores da União Brandoense e do P.B.F.C. , reforçada com a vinda doutros atletas da região que na altura, devido aos poucos clubes que existiam ou não competiam, vieram engrossar as fileiras deste clube . Com o estatuto de fundador da Associação , o P.B.F.C. foi inscrito no campeonato de Promoção de Aveiro na época 1931 – 1932 , na qual sairia vencedora ,disputando o acesso por isso ás Primeiras categorias , mas que não conseguiria por uma unha negra , perdendo na final com a Estrela de Ovar , onde pontificava o grande Zé Marques ( Tarene ), que marcaria nesse jogo 4 golos ao goleiro Zé Brandão . Mas nem tudo correu bem no seio deste clube , onde a rivalidade entre lugares da freguesia e o bairrismo ensarcerbado entre os jogadores e directores , terminou em zanga e por consequência acabando no aparecimento duma outra equipa em 1932 , a S.U.D; construíram o seu próprio campo no lugar da Estação , onde existe actualmente a Fabrica Dragão , começando nesse mesmo ano a competir no campeonato, na Promoção , levando consigo alguns jogadores que fragilizaram a equipa de então do P.B.F.C. A foto de 1933 acima registada , retrata a equipa que competiu no ano 32 – 33 nas Primeiras Categorias de Promoção , conseguiram a subida á divisão de honra ficando no 2º- lugar com excelente desempenho e tinha no seu elenco , velhas glórias que ainda hoje são recordadas com muita nostalgia . Pela ordem seguinte cá vão os seus nomes :
1ª- fila – de pé , da esquerda para a direita : Francisco Carvalho ( Chico da Marinheira ), António Sá ( Raio ), Ângelo da Guedes , Pedro Monteiro , Manuel da Ferreira , Américo Ribeiro e DR. Brandão.
2ª- fila : Neca do Brás , Chico do Pica , José Figueiredo e Joaquim Diogo .
A camisola diferia da inicial listada, e a razão prende-se do facto , dos dissidentes que saíram em 1932 apregoarem que as mesmas eram pertenças da antiga União Brandoense , por isso estes não tinham o direito de as usar; por fim a direcção do P.B.F.C. , apesar de muita contestação , decidiu que as camisolas seriam lisas em tom de verde e ficou tudo sanado. Este factor seria a causa da intensa rivalidade entre os lugares de cima e de baixo , onde os jogos entre as duas equipas constituíram autenticas pelejas e muitas histórias contadas , que ainda hoje são recordadas como épicas . Dizem as calendas que o S.U.D . levou sempre avante nos jogos entre ambos , mas em 1936 o campeonato foi perdido devido a uma derrota contra o rival , que nesse ano desceu ás segundas categorias , evitando que o S.U.D . disputasse o campeonato nacional. Foi a Única derrota mas a mais importante de todas , que conduziria a um desinteresse do P.B.F.C. e á sua extinção em 1938 .
Pegando numa entrevista de 1934 do jornal regional “ Defesa de Espinho “ ao então presidente do P.B.F.C . , Dr. Manuel Brandão, transcrevia o seguinte :
<< o ingresso na divisão de honra do Paços de Brandão Futebol Clube levou-nos a uma simples palestra com o actual presidente desta agremiação .
P: - Está satisfeito com a vitoria do seu clube sobre o Estrela de Ovar ?
- De certo que sim , pois creia que a passagem da minha equipa á Primeira Divisão , era uma aspiração antiga , à qual , com grande alegria se veio a realizar.
P: - Com esta subida , subiram ainda mais as responsabilidades ?
- Assim é , mas espero que os jogadores do meu clube saberão corresponder á confiança que todos nós neles depositamos . Bem vê , que não desejamos regressar ao mesmo campeonato , pois foi muito difícil cá chegarmos e a vontade é de jogar contra os melhores teams do distrito.
P: - Quantos anos tem de existência este clube ?
- Este clube foi fundado em 1922 , por mim e pelos senhores , Joaquim Ferreira Macedo, então presidente da junta , António Pinto Coelho Júnior, Américo Coelho Relvas , Florentino Monteiro e José Rosas. Nessa altura poucas agremiações existiam no circuito e a não ser o nosso velho Sporting de Espinho , nós e o Feirense praticavam o mesmo. Todos os restantes se arrastavam modestamente , por aí continuaram até á década de 30 , mas equipas como a Ovarense e os Galitos , cresceram imenso e tornaram-se muito fortes , suplantando as restantes, umas vezes por sorte e doutras devido ao arreganho das suas gentes que os apoiaram com grande fervilidade . Nós fomos sempre modestos e crescemos devagar e sem grandes loucuras .
P: - E quanto á questão do campo ?
- Isso mesmo se passou na época 1924 - 1925 . Nesse ano concorremos ao Campeonato de Aveiro e fomos finalistas com o Sporting de Espinho.
P :- Se tinham campo porque abandonaram o campeonato ?
- Largos contos ….Como sabe, construímos um campo com imensos sacrifícios , este estava num terreno da Junta e esta por mesquinhas vinganças particulares em 1926 , ajudada inexplicavelmente pela Câmara da Feira , pretendia vendê-lo , ao que nos opusemos .. Durante essa luta , nenhum desporto se praticou na terra , prejudicando os jovens que gostavam de jogar á bola . Felizmente que o mesmo continuou de pé e pertença da junta , estando para ser construído no seu local uma escola primária.
P: - Por isso a construção do novo campo ?
- É verdade. Por iniciava de dois grandes brandoenses , Chico da Marinheira e Joaquim Rola , no ano de 1931 lançaram-se a essa empresa , e com ajuda de muitos outros construiu-se o campo. E o novo é bem melhor do que o do Arraial , reavivando a chama do P.B.F.C. , começando a competir durante duas épocas no torneio de Promoção , 1932 – 1934 , tendo subido este ano á Primeira Categoria.
P:- Tem projectos para o futuro ?
- A direcção a que presido vai iniciar a construção de balneários e duma Sede , deixando para mais tarde , por dificuldades financeiras , a construção da vedação do campo de jogos . Entendemos que é mais urgente a higiene e o bem estar dos atletas .
P:- Praticou só futebol ?
- Só, pois como sabe é o único desporto que entusiasma as multidões , sendo possível a sua pratica com poucos recursos , sendo necessário : umas botas , uma bola e praticantes. Mas neste momento estamos a pensar criar uma equipa de futebol feminino , uma escola de ginástica infantil e de pratica de desportos atléticos. Aguardamos o futuro com muita confiança.
P:- Por ultimo , que pensa do valor da outra equipa da sua terra ?
- Sou suspeito para dar qualquer opinião , mas reconheço tratar-se dum grupo de valor , que tem sabido enlevar o nome de Paços de Brandão por onde compete. Apesar das rivalidades , somos todos amigos e somente defendemos os nossos emblemas com desportivismo. Todos fazemos o melhor por engrandecer o nome da nossa terra , pois esta está acima das paixões pessoais . ( DEFESA DE ESPINHO 1934 ). Em 1932 – 1933 o P.B.F.C. competiu no campeonato de promoção com 10 equipas , onde pontificavam equipas mais fortes e com competição desde 1928 , mas o desempenho foi brilhante : ficou em segundo atrás do Estrelas de Ovar , na primeira fase , não subindo á Primeira Divisão , porque algumas arbitragens prejudicaram a equipa em 4 jogos , o que impediram a sua subida . Mas no ano seguinte , na época de 33 - 34, o P.B.F.C. venceria a sua série e numa final a duas mãos levou avante diante do Cortegaça, com duas vitorias : 7-2 e 6-0

de 1925 a 1931 sem futebol

Depois de ter participado no primeiro campeonato de futebol de Aveiro , o futebol esteve cá na freguesia interrompido durante 5 anos , por diversas razões:
- Em primeiro lugar deve-se ao facto do Campo de jogos do Arraial não possuir as medidas regulamentares ;
- Em segundo, as divergências entre os governantes locais ;
- em terceiro , a acesa e disparatada rivalidade existente entre o clube PBFC e o outro cá existente , União Brandoense , quanto á utilização do campo de futebol ;
- e por ultimo , esta tornou-se numa guerra politica , de interesses e tornar-se-ia em causadora de desmotivação entre os atletas devido á inactivação da pratica do futebol ….
Como se sabe a localidade possuía por altura de 1925, apesar de ter pouco mais de 2500 almas , varias associações , rivais e bairristas , passava por um forte desenvolvimento económico, comercial , era um centro industrial pujante de : massas , cortiça , papel e no comercio , tinha no centro um espaço comercial e uma feira semanal , onde era na altura a mais concorrida do concelho ; e fora tudo isto possuía uma feira mensal , denominada de Feira dos 7 , onde era transaccionado um forte componente de gado , que se estendia desde o Porto até Aveiro , pois a localidade tinha uma razoável linha de vias terrestres e era no caminho de ferro , o seu grande trunfo , pois esta via transportava parte desses produtos agrícolas e animais . Estávamos no apogeu da Republica , tínhamos saído duma Grande Guerra , que apesar da devastação e degradação dos países , o nosso País conheceria de 1920 a 1927 um período áureo e os emigrantes espalhados pelo mundo contribuíam economicamente na sua terra ; com a chegada do período 1928 – 1931 , denominado como o da Grande Recessão ou de Crash da Bolsa , a celebre queda de 1929 , onde por arrasto começou na América e apanhou a Europa , levando á falência de muitas economias , firmas e a uma grande desordem social e descapitalização , tornando esses período muito conturbado e negro no aspecto social . A Republica seria aniquilada e dar-se-ia ao começo em 1926 ao período do Estado Novo e a chegada de Salazar ao poder .
Mas pegando no ano de 1925 , a junta local era dominada pelos monárquicos e tinha como dirigente , Joaquim Ferreira Macedo , que fez um trabalho magnifico na freguesia , apoiou o futebol e era entusiasta da sua tuna , A TUNA VELHA , mas foi o causador doutras questiúnculas , onde dividiu as gentes desta terra e tornou a sua rivalidade como o sinal de divisão entre lugares , partidos políticos e associações ; apesar de tudo isto , foi um dos mais dinâmicos dirigentes desta terra que merecia ser recordado numa rua , tal como outros que elevaram esta terra a patamares de progresso … Com as eleições de 1926 , a junta mudou de mãos, venceram os Republicanos e aqui começou o fim prematuro do PBFC… Com a politica misturada com o desporto, sendo este a porta bandeira dos fundadores , todos eles anti - republicanos e conservadores da monarquia caída em 1910 , adivinhou-se assim o fim em que caiu. Com as eleições venceu o republicano , Joaquim de Sá Alves da Silva , que rapidamente reivindicou os terrenos onde estava o campo de futebol como de interesse publico, ( seria a sua desgraça , porque em menos de 5 meses conduziria á sua queda ) exigiu a sua devolução á junta ; foi acesa a guerra entre o período 1926 a 1928 , que degenerou uma batalha verbal , acabando quase em tribunal ; apesar de em Maio de 1926 com a queda desta junta e a nomeação duma comissão administrativa ordenada pelo governo civil ,este caso arrastou-se bem para depois desta junta , sendo um dos focos de destabilização entre os lugares da freguesia , com a lavagem de muita roupa suja , comunicados na imprensa regional e zangas entre muitas famílias ; para azedar ainda mais as relações o governo civil de Aveiro elegeu como Regedor , Júlio Alves da Silva , um monárquico que não só apoiou o PBFC como tornar-se-ia num dos impulsionadores da construção do Campo das Ameixoeiras , apoiando o DR. Manuel Brandão e o Francisco Carvalho ( o Maneta ) no ido ano de 1930… Por isso , este caso tornar-se-ia ainda mais relevante , ficando esta freguesia dividida com 2 tunas , rivais e bairristas , relações azedas entre a população do Monte de Cima ( sede da tuna Nova , da União Brandoense ) e no Arraial ( sede da Tuna velha e do PBFC ).. Dá para se ter uma ideia do que foi este período , que seria depois ainda mais relevante a partir de 1931 com a formação dum outro clube , a S.U.D… Apesar de tudo isto , as forças vivas da Praça e Aldeia , especialmente com a ajuda da família Ferreira Alves , o campo de futebol avançou no terreno e tornou-se numa realidade.. Levou um ano a construção deste complexo desportivo , todo ele construído com a abnegação do povo Brandoense da Aldeia e Praça e tal procedimento tornou possível a sua avante.. Quanto aos terrenos do antigo campo seriam desviados para a construção dum salão paroquial mas seria construído no seu recinto a escola da Praça , esse monumento que ainda hoje é admirado , foi requalificado á pouco tempo e serve de ensino aos alunos da parte de baixo da vila . Dessa equipa que foi baluarte do PBFC , entre 1923 – 1925 , possuía no seu elenco atletas de grande valor .
Vou recorda-los :
JOSÉ BRANDÃO – um valoroso guarda redes que jogou depois no Feirense varias épocas ; DR. MANUEL BRANDÃO : defesa de enorme tempera , seria depois em 1931 director do clube , era dotado de estampa apreciável e fez com o CELESTINO FERREIRA , uma dupla intransponível ; JOAQUIM SÁ ROSAS - jogador de bom recorte técnico , foi um dos entusiastas deste desporto , deixou cedo o futebol pois emigrou para França e regressou já na década de 30 , para se dedicar á industria da cortiça e ao salão do Cinema Local ; ANTONIO SOUSA ( CORTADOR ) – jogador dotado que ainda hoje é relembrado , tanto no futebol como na musica na tuna , partiu cedo para França e nunca mais voltou ;dizem os mais antigos que foi o melhor médio direito que nasceu na terra ; AUGUSTO PAIS - dizem que terá sido o melhor jogador da sua geração , era médio esquerdo , possuindo uma técnica acima da média ; AMERICO FERREIRA e ANTONIO CRUZ – ambos laterais da linha avançada , cuja a formação táctica era a seguinte : 1 – 2- 3 – 5 ,ou seja , tudo prá frente , constituíram uma dupla temível no ataque , em que o avançado , JOÃO VIEIRA CASTRO , lhes deve inúmeros golos , tendo este ultimo num jogo com o Feirense marcado 4 golos , contribuindo para o escore de 7-1 favorável aos locais ; num jogo disputado com o então campeão de Portugal , o FCPORTO ,que trouxera uma equipa de segundas categorias levando um banho de bola , marcou 2 golos e ajudou no empate a 3-3 , ficando famosa tal façanha , ainda recordada pelos mais antigos ; para o fim deixei de propósito , o maior back central , ou seja , defesa , que existiu na localidade , pois nos dias de hoje seria um caso serio , refiro-me a CELESTINO FERREIRA , que sozinho conseguia enfrentar vários avançados , tal era a sua categoria …
Equipa do f.c.porto de 1925 que jogou contra o PBFC e terminou empatado a 4 -4 .

historia do futebol em paços de brandão

BREVE HISTORIA DO FUTEBOL EM PAÇOS DE BRANDÃO - ( 1922 – 2008 )

1º- década de 1920 a 1930
2º- os campeonatos da liga do p.b.f.c.. e da s.u.d. nas décadas de 20 , 30 e 40
3º- as figuras e o fim do futebol em 1942
4º- as equipas amadoras na década de 50
5º- a fundação do c.d.p.b. em 1960
6º- os campeonatos regionais e nacionais
7º- as camadas jovens
8º- inauguração do novo recinto de jogos
9º- figuras nestes 50 anos do clube
10º- o futuro


O COMEÇO DO FUTEBOL NA LOCALIDADE

1º- AS DECADAS DE 20 E 30

O gosto pela pratica do futebol começou por volta de 192o ou 1921 , impulsionado pela juventude que praticava este desporto no antigo campo da PRAÇA , paredes meias com a antiga feira dos 7. Segundo relatos proferidos pelo falecido Aires de Sousa , a malta da altura jogava com bolas de trapos nos fins de tarde de verão e nas noites de luar, um “ football “ rudimentar , mas sobrava em vontade da prática e de muitas lesões nos pés , pois era praticado ao pé descalço . Este tipo de desporto alcançou tal longitude que, em Março de1922 foi fundado o PAÇOS DE BRANDÃO F.C , tornando-se mesmo o clube numero 1 inscrito na Associação de Aveiro em 1925, com sede em Ovar e foram fundadores : Adelino de Sá Ferreira Alves , Dr. Manuel Brandão , Joaquim Ferreira Macedo , José Rosas, António Pinto Coelho Júnior , Américo Coelho Relvas e Florentino Monteiro. Dos 12 clubes que começaram o primeiro campeonato de Aveiro , do concelho não havia mais nenhum e o mais próximo era o Espinho , daí a importância deste feito , numa das muitas causas em que a nossa terra foi pioneira .
Na falta de arquivos escritos do período 1921 a 1923 não se sabe qual o primeiro clube da nossa terra , mas o Aires de Sousa falava numa equipa amadora denominada de “ União Brandoense “, que fizera vários confrontos com a “ Mocidade de Oleiros “, cujos confrontos eram já eivados de enorme entusiasmo e rivalidade, tendo por isso jogado também contra o Paços de Brandão F.C , na altura, tal como tinha acontecido com as tunas , havia duas equipas na freguesia , rivais e muito bairristas .
Segundo relatos pela pena de ORIMAR da FINA dizia que :
“ o primeiro clube nasceu dum outro existente e os seus progenitores , entre muitos , Joaquim de Sá Rosas , José Rosas , José Reis , José Brandão , Aires de Sousa , António Sousa , o Peneira ,etc. , já praticavam esta modalidade já há algum tempo .. Que se saiba estes possuíam um campo próprio para a pratica do futebol , mas a Associação de Aveiro , sediada em Ovar ,dada as exiguidades da sua largura e comprimento do recinto , não foram aprovadas e , portanto não seria permitido jogos de competição associativa. Apenas se realizaram jogos particulares de amadores , hoje considerados campeonato da Inatel , porque era muito pequenito , mas lembro-me bem por , uma segunda feira das festas de Agosto , jogando cá o Grupo do Banco Borges e Irmão , do Porto , como criança que era , furei pela multidão e apanhei uma bofetada do meu Avô que era o porteiro … corria o ano de 1923 ou 1924 . Pena foi , como tantas outras que aconteceram e que continuam a acontecer , não se escreveram actas. Se estas fossem feitas ( como os Estatutos agora em vigor , ordenam e obrigam , mas que nem todas as direcções o fazem ), teríamos hoje fontes fidedignas por onde nos poderíamos guiar e escrever com certeza ou gafes … Este campo , Campo da Praça , foi feito no ano de 1924, era vedado a madeira e acabou em 1929 , com a construção do Campo das Ameixoeiras , e os terrenos para a construção da escola o Arraial “.
Em 1924 na edição do semanário “ CORREIO DA FEIRA “ de 5 de Março relatava o seguinte :
“ Está-se desenvolvendo neste concelho o gosto por este género de Sport , havendo já em algumas localidades campos apreciáveis , onde a mocidade fisicamente se desenvolve e educa. Paços de Brandão , freguesia das mais ricas do concelho na industria e no comercio , tem o seu campo belamente instalado no centro da povoação , paredes meias do frondoso largo da Praça e do vasto largo da feira dos 7 . Campo alegável e enxuto e também com excelentes vistas com as povoações e paisagens que o circundam á distancia . São dignos dos maiores elogios os “sportmans “ do Paços de Brandão Football Clube e o convite para assistirmos a uma festa sportiva que na tarde de amanhã tem lugar neste magnifico recinto . A atraente festa consiste em dois confrontos entre o team de Paços de Brandão F.C contra o Sport Operário Sanjoanense , e , entre União Brandoense Football Clube e o Francelos Football Clube .”
Este artigo levanta uma grande incógnita em que já havia 2 equipas na localidade , contrariando a tese que o S.U.D. começou muito mais cedo do que se diz ou então este , o U.B.F.C , nada tem a haver com este … mas como iremos ver mais adiante , o grupo S.U.D. reivindica ser o clube mais antigo da freguesia , porque diz ser formado a partir de elementos que tinham pertencido á União Brandoense , por isso anterior ao P.B.F.C. … Na altura deste artigo a União Brandoense tinha somente equipas jovens , infantis e juvenis ,por isso realizava alguns jogos com o convite do clube das primeiras da localidade , aparecendo somente em 1927 em seniores , após dissidências entre directores pertencentes ao Paços de Brandão Football Clube , que originou a formação da Sociedade União Desportiva , com campo próprio no lugar da Estação , nos terrenos onde hoje se encontra a Fabrica do Dragão , terminando no ano de 1942 . Como não há registos ficamos pela incerteza …
No seguimento do artigo de 1924 , o correspondente local relatava :
“” Realizaram-se no domingo no campo desta freguesia, os dois anunciados desafios entre o team do Paços de Brandão Football Clube contra o Sport Operário Sanjoanense, e entre o União Brandoense Football Clube contra o Francelos Football Clube , estes dois últimos infantis . A assistência era numerosa e distinta , vendo-se muitas senhoras , cavalheiros e gente do povo entusiasmados com os interessantes desafios. Computou-se a assistência em mais de mil pessoas , rendendo entradas que eram voluntarias , uma boa soma de escudos para o cofre da Associação do Campo. O jogo teve as suas fases de entusiasmo por parte de todos os jogadores , ficando porém vencedores os dois grupos de Paços de Brandão , tendo as primeiras categorias vencido , 6 contra 2 , ganhando assim o artístico busto oferecido para premio do desafio pelo Sr. Luís Rios . A formação local era composto por : José de Azevedo Brandão , Dr. Manuel de Azevedo Brandão , António de Almeida e Sousa ( cortador ), Américo Alves Ferreira , António Cruz , Joaquim de Sá Rosas , Crispim Gomes Ribeiro , Augusto da Silva Pais , José Cruz , João Vieira de Castro e Celestino Alves Ferreira. No domingo 30 do corrente , haverá outro desafio entre o Paços de Brandão Football Clube e o Team de Bustelo. “””
Com o entusiasmo na modalidade , o clube local digladiava com as melhores equipas da região , vencia com enorme facilidade os adversários , que apesar do seu campo não ter as medidas regulamentares e não poder jogar em jogos oficiais , tornou-se num dos fundadores da A. F. Aveiro a 22 de Setembro de 1924 , com os seguintes clubes :
Paços de Brandão Foot Ball Clube
Associação Desportiva Ovarense
Associação Desportiva Sanjoanense
Clube dos Galitos ( Aveiro )
Fogueirense Foot Ball Clube
Sociedade Recreio Artistico ( Aveiro )
Sport Clube Anadia
Sport Clube Beira Mar
Sporting Clube Bustelo
Sporting Clube Espinho
Sporting Clube Oliveirense
União Desportiva Oliveirense

O primeiro campeonato foi disputado na época de 1924 – 1925 por 5 clubes , tendo sido ganho pelo Espinho . Em paralelo e devido ao adiantado da época , disputou-se um campeonato de iniciação , no qual participaram o Anadia , Ovarense , Sp. Oliveirense , União Oliveirense , Sanjoanense e Bustelo. A primeira jornada do primeiro campeonato realizada em 14 de Fevereiro de 1925 :
Bustelo 2 Sp. Oliveirense 1
Sporting Espinho 5 Cucujães 0
Sporting Espinho ( 2as categorias ) 2 Paços de Brandão 0
Beira – Mar 2 Galitos 0
Ovarense - Anadia - adiado.

Em entrevista no ano de 1934 ao semanário “ Defesa de Espinho “, o Dr. Manuel Brandão , declarou o seguinte :
“” o Paços de Brandão F. C. foi fundado em Março de 1922, por mim e pelos snrs : Joaquim Macedo , então presidente da junta , António Pinto Coelho júnior , Américo Coelho Relvas , Florentino Monteiro e José Rosas . Nessa altura poucas agremiações desportivas existiam no circuito e a não ser no nosso já velho Sporting Espinho , todos arrastavam uma vida mais que modesta . Os anos e algumas , tais como a Ovarense e o Clube de Galitos cresceram , tornaram-se grandes , ou porque à sorte os favorecessem ou porque , mais racionalmente , o meio populoso e apaixonado em que viviam a isso os conduzia .. Nós lá íamos , devagar , bem sabe as dificuldades do meio ... O problema do campo complicou tudo . Isso mesmo se passou em 1924 – 1925 . Nesta época concorremos ao Campeonato Distrital e fomos finalistas com o Espinho ( 2as categorias ).
Porque deixaram o campeonato a partir de 1926 ?
“ largos contos … Como sabe tínhamos um campo de jogos que foi construído por inúmeros sacrifícios , este estava no terrenos da Junta e esta por mesquinhas vinganças particulares e ajudada inexplicavelmente pela Câmara da Feira , pretendia vendê-lo , só que nos opusemos . Durante essa luta , que durou anos , nenhum desporto se praticou na minha terra . Em seu lugar uma obra social surgirá.. Os atletas da terra , uns foram para o Feirense , outros para Espinho e clubes da região e outros desistiram com o sucedido .
Mas construíram um novo campo ?
“” É verdade. Em 1931 – 1932 , Francisco Carvalho ( Maneta ) e Joaquim Rola lançaram-se a essa empresa e outros os ajudaram. E o nosso novo campo bem melhor que o antigo , fez reviver o P.B.F.C . Renasceu e concorreu nesta época 1931 – 1932 , pela segunda vez ao Campeonato da Promoção , conquistou o titulo e finalmente ingressou na Divisão Primeira .””